quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Separação amigável. Ou respeito às aparências

Ricardo NoblatSeparação amigável. Ou respeito às aparências  (Foto: Arquivo Google)
O Palácio da Alvorada, onde a presidente Dilma mora com seus demônios, teria sido um espaço mais amigável, familiar, para ela receber alguém com quem se atritou, mas pretende se reconciliar.

Mas, não. Se ela não procede assim nem com os supostos amigos nos quais confia, quanto mais com alguém que acusa de conspirar por sua queda. Dilma não consegue, sequer, manter as aparências.

Ela e o vice-presidente Michel Temer haviam treinado bastante que diriam um para o outro. Dilma foi fria. Temer, pomposo, solene. A intimidade ficou de fora. Foi “senhora presidente” para cá, “senhor vice-presidente” para lá.

Temer pareceu mais desenvolto. Deixou claro que não trabalhará pelo impeachment, nem contra ele – notícia já esperada por Dilma. E pediu que o governo não se metesse nos problemas do PMDB, que o PMDB é com ele.

O pedido não será atendido.

Ontem mesmo, Jaques Wagner, chefe da Casa Civil, conversou com governadores que poderão ajudar a inflar a bancada de deputados federais do PMDB, de modo a que o ex-líder Picciani reconquiste a maioria dos voto para ser reempossado na função.

O novo líder, Leonardo Quintão (PMDB-MG), é ligado a Eduardo Cunha e a Temer. E, ontem, foi reverenciá-lo no Palácio do Jaburu.

A romaria ao Jaburu só faz crescer. Senadores que lá estiveram saíram surpresos com a disposição de Temer para governar caso Dilma seja impedida.

Temer guarda uma bala de prata para disparar em caso extremo: em março ou abril, o PMDB realizará seu Congresso.
Não haveria melhor ocasião para o partido romper com o PT e com Dilma.

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