sexta-feira, 31 de julho de 2015

Relato de uma Delegada de Polícia

"Há dois anos e sete meses sou delegada de polícia. Embora eu tenha passado no concurso na condição de concurseira e não propriamente na de vocacionada, aprendi muito na polícia civil e com a polícia civil. Aprendi a dar maior valor à vida, porque vi que ela é frágil demais. Aprendi a dar valor ao sono, porque ele é artigo de luxo para um policial. Aprendi a enfrentar situações de risco com mais naturalidade, porque se trabalha com o risco todo dia. Aprendi que garantista mesmo não é aquele que infla falando do assunto, de pantufa, com uma doutrina na mão, e sim aquele que confere as garantias ao preso numa delegacia, há 48h sem dormir, trabalhando em condições precárias, com fome, com sono e diante de um bêbado gritando e ofendendo até a sua quinta geração. Aprendi que há profissões em que a gente acaba pagando para trabalhar, porque os recursos matérias e humanos são parcos e a gente quer muito que aquilo dê certo, que fique bom. Aprendi que servir e proteger não é só um juramento. É um modo de vida. Aprendi a me abnegar, a esgotar as minhas forças e continuar de pé, a enfrentar meus medos e a deixar, muitas vezes, a família e os amigos de lado (é a pior parte) para bem cumprir a minha missão. Os únicos a abrir as portas para as vítimas nas madrugadas frias. Aqueles que são os primeiros a tomar conhecimento do crime e a tomar as primeiras (e mais sacrificantes) providências (ouvir os familiares do morto logo depois do homicídio, comparecer no local do crime, na vila, de madrugada, na chuva, para isolar o local e colher os primeiros elementos de prova...). Aqueles que volta e meia têm que se confrontar com marginais. Generalizar e jogar lama na honra, na coragem e no mérito dos policiais não vai fazer da polícia uma instituição melhor. Apoie o policial. A esmagadora maioria arrisca a vida por você!"(Do Paulo Caminha)

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